Vaga no Bolso

Inicio » Colunistas » Nilson Apollo » Coluna do Nilson Apollo – De quem será a culpa?

Coluna do Nilson Apollo – De quem será a culpa?

Coluna do Nilson Apollo – De quem será a culpa?

Que a politica e governança do Brasil é uma verdadeira bagunça, todo mundo já sabe há muito tempo.  E a culpa é de quem? Pedro Alvares Cabral? Dom João VI? Dom Pedro I? Do próprio povo? Ou dos militares? Ou de todo mundo?

O Brasil, um país supostamente “abençoado por Deus”, nunca teve uma estabilidade política, muito menos um projeto de governo de continuidade, ou um governante que de fato se interessasse em ser um estadista em vez de um político. O que mais se aproximaram desse papel de estadistas, por mais que muitos discordem, nos mostra a história que foram o suicida Getúlio Vargas, que promoveu no Brasil avanços e políticas duradouras e eficazes à longo prazo e o carismático presidente “Bossa-nova” Juscelino Kubitschek, que modernizou o país e chamou a atenção do mundo, com seu espírito arrojado e vanguardista.  Ainda assim, os mesmos eram pressionados e questionados por grupos insatisfeitos, que orquestravam duvidosas maquinações ininterruptas no sentido de freá-los em suas ações.

Por fim, o resultado, como é de conhecimento de todos, fora o autoextermínio do presidente Vargas com um tiro em seu próprio coração por não suportar a pressão de seus opositores, e  Juscelino Kubitschek, embora tenha terminado seu mandato, saiu sob fortes críticas de endividamento da nação, elegeu-se senador pelo estado de Goiás, e teve em seguida seu mandato cassado. Enquanto presidente fora sucedido pelo estranho Jânio Quadros, que promoveu uma das mais circenses administrações da história, sua ideias eram esdruxulas e beiravam a sandice. Por exemplo, Jânio Quadro planejava anexar a Guiana Francesa ao território Brasileiro, e outras ações que faziam com que duvidassem de sua sanidade mental.

Outro período marcante foi a tomada de poder instrumentalizada pelas forças armadas, pensadas por banqueiros, e patrocinada por governos externos, que diziam temer o comunismo crescente em vários países da América Latina, África e Ásia.

Após vinte e um anos, retorna a democracia, o povo poderia agora decidir, e escolher o primeiro presidente eleito através de voto direto, mas antes, por voto indireto, assistimos às vésperas da posse, a morte suspeita do eleito Tancredo Neves, sucedido por José Sarney,  que veio com seus congelamentos de preço, e inflação galopante logo em seguida, quando pelo manhã um quilo de arroz eram Cz$ 10,00 e à noite já aumentara de preço, pra Cz$25,00. Uma loucura.  Depois, através do voto direto, assumiu um jovem brilhante, porém despreparado para assumir o posto de chefe maior de uma nação, rica, gigantesca, e confusa como o Brasil. Foi a primeira vez que ouvi fala sobre “impeachment”, sacaram o jovem Fernando Collor do poder, depois da tragédia provocada pelo espalhafatoso plano econômico implantado, o que levou muitos empresários e pais de famílias, não só à falência, como também ao suicídio, após verem suas economias confiscadas da noite para o dia.  Nessa época, ainda um adolescente, revoltado eu ouvia muitas mulheres dizerem haverem votado nele porque ele era “bonito”, um absurdo… A coisa ficou feia para o país.

Com o renuncia forçada de Fernando Collor, assumiu seu vice, o desconhecido Itamar Franco, que, de fato, colocou a casa em ordem, e encabeçou uma boa equipe de ministros que trouxeram uma vaga noção de estabilidade para o país, um sucesso que concedeu ao seu ministro Fernando Henrique Cardoso a sucessão presidencial.  Uma vez eleito, tomou para si os méritos do sucesso do plano econômico do Governo Itamar. Foram dois mandatos de maquiagens, e doa a quem doer, também de crescimento do país.

Fernando Henrique Cardoso foi sucedido pelo sindicalista Luis Inácio Lula da Silva, que desde a primeira eleição pós-governo militar tentava chegar à presidência, havendo logrado êxito somente nas eleições de 2002, e se reelegendo em 2006, período em que o país, atravessou demonstrando haver por fim se encontrado em suas necessidades, gozando de respeito no cenário internacional, e aparentemente sanando suas pendencias internas. Após o fim desse período, assim como Fernando Henrique, o presidente Lula conseguiu eleger sua sucessora Dilma Roussef, uma mulher honesta, com um heroico histórico de lutas pela democracia, mas que me perdoem os apaixonados, sem a mínima condição de presidir a um país. Falas desconexas, projetos sem clareza, ausência de habilidade politica, e sem nenhuma inteligência para lidar com os sucessivos ataques sofridos pelos oposicionistas de seu governo.  Ainda assim, a presidente quase que por milagre conseguira se reeleger para mais um mandato, que não conseguiu concluir, pois sofrera sim um golpe, muitos dirão que não, eu mesmo, à principio refutava a essa ideia de golpe, mas minha inteligência não me permite sustentar uma falácia da “impeachment” legitimo e merecido, dado as devidas circunstancias, foi sim um golpe político. E pior, orquestrado nos bastidores de seu próprio governo, seu vice e o presidente da câmera dos deputados, uma velha raposa política, o agora presidente Michel temer e um gênio do mau, o mente brilhante Eduardo Cunha (hoje cumprindo pena por crimes diversos), dono de uma frieza inigualável, e capacidade de articulação que nos faz pensar tratar-se da reencarnação de Nicolau Maquiavel. Um gênio, que poderia ter canalizado suas energias e inteligência para o bem, mas optou por outros caminhos.

Em meio a isso tudo, estamos aí, às portas de mais uma escolha presidencial, o que temos para escolher? Um ex-presidente (Luis Inácio Lula da Silva) cumprindo pena, como preso político, pois, ainda que não encontrassem provas que o incriminassem (neste crime específico) o condenaram de maneira inédita na história recente do judiciário brasileiro. Doa novamente a quem doer, o ex-presidente Lula, na minha simplória concepção, é sim um preso político, até então, pelo que foi condenado, não apresentaram nenhum prova consistente. Tudo indica que se trata de estratégias para que o mesmo não dispute as próximas eleições, que ocorrerão ainda neste corrente ano.

E o pior… O pior de tudo… Esse pandemônio politico, ao longo da história, cansou o eleitorado, que desesperado procura um jagunço ou kamikaze que exploda isso tudo… Mas tem que ser alguém que saiba realmente destruir, esteja disposto a matar, ofender, contestar e demolir a tudo e a todos.  Não precisa ter experiência para fazer nada, nem conhecimento de normas e leis constitucionais, basta esbravejar, e falar que vai matar, prender, exterminar, tirar direitos, usar de palavras chulas e não respeitar a ninguém.

Não importa se o mesmo não tenha apresentado nenhum projeto coerente enquanto parlamentar em quase trinta anos na câmara dos deputados, ou se afirma claramente que não entenda de nenhuma politica de governança, seja na área e economia, saúde, segurança ou educação. Basta chegar e falar que crê em Deus, que ama a família ou que nunca roubou.

Uma parcela do eleitorado brasileiro precisa somente disso para colocar fogo no país, e acabarem com tudo… Vivemos tempos em que não se conserta nada mais, prefere-se jogar fora, queimar e destruir tudo de bom que já foi feito…  Sempre haverá um culpado, seja ele direto, ou indireto.

Estamos, todos estupefatos com as falas, e destemperos de certos candidatos, não existe quem coerentemente justifique uma eleição baseada em falas tão desconexas, mas ainda assim, é crescente a onda dos desajuizados que insistem em promoverem e apoiarem determinadas sandices…

De certa forma, atribuo a culpa da ascensão desse candidato, à confusão promovida pelos governos anteriores, que para fazerem volume, apoiaram e aceitaram a todo e qualquer movimento ideológico em sua politica de governo, aberrações como ensinos no mínimo estranhos em salas de aula, onde abordavam de maneira vulgar temas de sexualidades, assim como uma parte da classe artística que promoveram também um festival de estranhezas sob a bandeira do esquerdismo, algo que não vimos em nenhum outro governo socialista mundo à fora. Confiram na França, na Suécia, Finlândia, Holanda, e demais países socialistas, se existe alguma coisa que lembre essa distorção que o socialismo adquiriu em terras brasileiras?!?! Isso somente se vê por aqui, em terras tupiniquins, a permissividade e “forçação de barra”, empurrando “goela à baixo” de todos, todo tipo de maluquices ou atentados contra os bons costumes.  Agora, eis aí o resultado; criaram um monstro, e acenderam a uma turba sedenta por sangue, tortura e consequentemente morte…

Faltou equilíbrio da parte de alguns, e agora, nem esse equilíbrio querem mais, querem a destruição total de tudo.

E a culpa é de quem?

 

Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

 

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.O espaço de comentários em nossos artigos é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *