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Coluna do Nilson Apollo – Malandro, Indolente? Logo eu, que sou um “prego” ?!?!

Nesta semana, ouvimos de um general de reserva, candidato a vice presidente do Brasil, um disparate sem tamanho, quando usando de preconceito, involucrou todos os negros e índios dentro de um pacote, estigmatizando-nos como malandros e indolentes.

Particularmente me ofendi com a fala do cidadão, pois, eu nunca passei nem perto de nada que lembre isso.

Embora em nossa cultura artística, musical, televisiva, cinematográfica e teatral, ao longo dos anos temos vistos uma formatação danosa de nossa imagem enquanto povo, nem todos assimilam o comportamento e estilo de vida do “bom malandro”, se é que exista bom malandro.

Podem as músicas “Bezerra da Silva” dizer quem sim, podem cantar em prosas e versos histórias desses típicos personagens, consagrado até mesmo no exterior, através de Walt Disney, que criou o malandro Zé Carioca para nos representar, desgraçadamente como um de nossos símbolos arquetípicos, que eu contesto.

Significado de Malandro e indolente

“Substantivo masculino

Aquele que vive em busca de prazeres e diversões; quem gosta de viver de modo boêmio, sem trabalhar, na malandragem.

Indivíduo que caracteriza um personagem carioca, pertencente a uma classe social menos favorecida, que se define pela maneira própria de se vestir e de falar.

Adjetivo

Diz-se da pessoa que se utiliza da esperteza para sobreviver sem trabalhar, geralmente abusando da confiança de outras; vadio. Diz-se de quem é esperto, astuto; sagaz. “Que é indolente; preguiçoso.”

Alguns aceitam, eu e muitos outros não. Talvez nós sejamos até o contrário de malandro, “pregos” (que é a gíria para “bobo”) até demais…

Pregos no bom sentido do vernáculo, pois à principio, um “prego” é visto com maus olhos, pelos que se julgam espertos, e “malandros, ou indolentes”

Mas os pregos, na verdade são seres observadores, que medem as conseqüências de seus atos e geralmente são comedidos em suas palavras e postura diante da sociedade.

Eles nascem com uma capacidade incrível de se embriagar e viajar mais em suas idéias e realizações do que com os mais fortes psicotrópicos…

Os “pregos” geralmente têm poucas parceiras sexuais ao longo da vida… Seu real objetivo é somente uma pela vida toda, ou pelo menos uma de cada vez, pois não lhe apetece a remota possibilidade de irresponsavelmente espalhar sua prole pelo mundo afora e são afeitos ao respeito e cuidado para com os que o cercam…

O cérebro de um “prego” é faminto, ele busca sempre alimentá-lo com as mais complexas e necessárias informações, e nunca vai se furtar de transmitir ou ensinar a um “preguinho” em potencial…

Um “prego” nunca se rebela sem uma causa justa e pertinente… Isso é para os utópicos…

Os “pregos” gostam de músicas com conteúdo, e geralmente sabem tocar um bom instrumento…

O “prego” não se exibe com roupas de marca nem desfila pelas ruas de sua cidade com o som de seu veículo no último volume, incomodando a todo mundo… Isso é típico dos espertos.

O “prego” tem aversão a badernas e demonstração de excesso de testosterona, ele não precisa se auto-afirmar… Isso é típico dos imbecis.

O “prego” não perde horas se lambendo na frente do espelho, ele é avesso as formas masculinas avantajadas, inclusive à sua própria, pois ele prefere as formas do sexo oposto.

Ele não precisa fazer de meios de transporte uma extensão de sua masculinidade e potência… Ele só precisa dele para se locomover confortavelmente…

O “prego” tem um linguajar mais formal, pois ele sabe que assim será melhor interpretado e entendido e não gosta de gírias…

O “prego” não é fanático por nada, e nada é o centro e razão de sua vida, senão a própria vida e seus encantamentos naturais…

“Pregos” não são tiranos, suas preguices não o permitem sê-lo…

Eles se simpatizam com as causas e de vez em quando com algumas agremiações, mas não são bobos a ponto de morrerem por nenhuma delas, pois ,eles prezam pela vida e economizam suas emoções para situações realísticas e de maior importância, sejam elas familiares, profissionais, sociais e etc…

Os códigos internalizados de normas e regras morais de um prego são bem definidos, ele não varia muito…

O “pregos” são minoria entre a multidão, eles atravessam as eras quase sem serem percebidos em seus anos iniciais de vida…

Geralmente eles morrem velhinhos, quando se tornam “quadrados”…

E se tiverem sido bons pregos, conseguirão transmitir a preguice aos seus descendentes…
Os “pregos” acumulam informações, recursos e experiências, sondando o territórios e fraquezas das demais tribos e quando amadurecidos assumem seus espaços… sabendo exatamente o que fazer para permanecerem incólumes por muitos e muitos anos…

Geralmente os “pregos” não matam a ninguém, nem morrem por mãos de ninguém… Que não seja pela mão de DEUS.

Eles é cordatos e sutis, e é deles que vem o que jamais se espera, pois eles não alardeiam sem necessidades…

“Pregos” gostam de serem “pregos”, e não gostam de serem indolentes, nem malandros”

E muito menos são estúpidos o suficiente para escolherem votar em uma dupla que pensam tais absurdos a respeito deles.

E só para refrescar a memória senhor general, se malandros e indolentes fossem os negros ou os índios, nós é quem teríamos saído mundo à fora, roubando terras, e escravizando a outros povos para fazerem o trabalho pesado sob torturas e ameaças.

Não leve tão a sério o que cantaram e cantam alguns desavisados que infelizmente não sabiam o que faziam ou fazem, quando se prestaram a esse desserviço à nossa imagem.

Malandro e indolente è P…  Q… T. P….!!!!!

Obs: Sou tão prego que minha mãe nunca me deixou usar de palavras de baixo calão…

 

Nilson Apollo Belmiro Santos
Nilson Apollo Belmiro Santos

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