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Norte de Minas – Pequi para todo mundo

Norte de Minas – Pequi para todo mundo

Amado por muitos, odiado por outros tantos, o pequi virou alternativa para incrementar receitas pobres do ponto de vista nutricional. E está fazendo o dever de casa com louvor. Não só dá aquele “up” nos pratos como vem conquistando o paladar de quem não tinha o hábito de consumir o fruto do cerrado.

DE NORTE A SUL - Um dos objetivos dos pesquisadores é difundir o fruto por todo o Brasil. Atualmente, o consumo se concentra no Centro-Oeste e no Sudeste do país, mais precisamente no Norte de Minas. O Estado é o principal produtor brasileiro de pequi, à frente de Goiás
DE NORTE A SUL – Um dos objetivos dos pesquisadores é difundir o fruto por todo o Brasil. Atualmente, o consumo se concentra no Centro-Oeste e no Sudeste do país, mais precisamente no Norte de Minas. O Estado é o principal produtor brasileiro de pequi, à frente de Goiás

 

Pesquisadores de Lavras, no Sul de Minas, estão incorporando a polpa do pequi na receita do empanado de frango. Rico em vitamina A, o vegetal ainda ajuda a suprir carências nutricionais, acrescenta o professor titular da Universidade Federal de Lavras (Ufla) Eduardo Valério de Barros Vilas Boas, coordenador da pesquisa.

“O que nos motivou foi a riqueza do pequi. O fruto tem vitaminas A e C, cálcio, ferro, além de outros minerais importantes e de fibra. Para se ter uma ideia, contém de três a quatro vezes mais vitamina C do que a laranja e mais betacaroteno (fonte de vitamina A) do que a cenoura”, afirma o pesquisador, doutor em ciência dos alimentos.

CONCENTRAÇÕES

As concentrações de polpa usadas na receita variaram conforme o público que testaria as amostras. Em Goiânia (GO), onde a receita foi distribuída em função do costume da região em empregar o pequi na culinária, os degustadores receberam o preparo com 10% do vegetal. Já o público do Sul de Minas experimentou o preparo com concentrações de 2,5% a 5%.

“Como em Lavras a população não está acostumada ao sabor do pequi, que é bem presente, a melhor aprovação foi a do empanado com até 2,5% de polpa. Em Goiânia, não houve diferenciação”, explica Vilas Boas.

Segundo o pesquisador, independentemente das concentrações, há ganho nutricional para quem consome o empanado “turbinado”.

Além da tradicional, de frango, também foram preparadas variações vegetarianas.

O modo de fazer os pratos também impactou na escolha de quem provou a receita. Empanados assados no forno e feitos em fritadeiras elétricas, sem óleo, foram os preferidos.

TRÊS ANOS

Cerca de dez pesquisadores, dentre profissionais que atuam na Ufla, em Lavras, e em Goiás, além de alunos de doutorado, mestrado e de iniciação científica, participaram da pesquisa, que durou cerca de três anos.

Ainda pouco conhecido em diversas regiões do país, o pequi é considerado um fruto exótico. Embora a engenharia de alimentos procure ampliar as aplicações do fruto na culinária, a aceitação do produto in natura no mercado brasileiro é considerada baixa. Polpa e óleo são os derivados mais consumidos.

* Por Patrícia Dumont do Hoje em Dia