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Coluna do Edson Andrade – Como vencer a solidão

Coluna do Edson Andrade – Como vencer a solidão

Costumo chamar notas ao violão: “um dia frio/um bom lugar pra ler um livro/e o pensamento lá em você/eu sem você não vivo…” E a companhia indecifrável do impagável instrumento de cordas, inspirado em um sempre indefectível Djavan, poeta altíssimo, um Lói Damasceno que se lançou para os quatro cantos do mundo.

Em 1608, William Shakespeare já grafava o vocábulo “solitário”, em sua tragédia “Coriolanus”, Ato IV, Cena 1. Resgatando o tema para o Século XXI, a cantora Demi Lovato afirmou, a propósito do vocábulo em epígrafe: “Prefiro chorar sozinha; Orgulho? Não. Só quero evitar o julgamento de pessoas que não saibam o motivo das minhas lágrimas.” Ao abraçar a inteligência de Friedrich Wilhelm Nietzsche, encontro a seguinte pérola: “Odeio quem me rouba a solidão sem verdadeiramente me oferecer companhia.”

O poeta português Fernando Pessoa também escreveu sobre a solidão: “A liberdade é a possibilidade do isolamento; Se te é impossível viver só, nasceste escravo.” Jean Jacques Rousseau afirmou: “De todos os animais, o homem é aquele a quem mais custa viver em rebanho.” Mas Vinícius de Moraes simplificou a resposta aos que se sentem sós: Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.” E versejou:  A maior solidão é a dor do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se. O ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

O termo solidão é recorrente. Quantos em nós ou em nosso derredor não o proclamam e, não raro, equivocadamente? Em nossos momentos de aparente depressão, nós brandimos o vocábulo e, com ele, vencemos os dias. Não sem muita dor. Todavia, para o poeta resta sempre o verso revelador de seu melhor instante:

Soneto à Lua

E ao revelar-te fria, halo e nua

A desvendar-me bardo em teu clarão

Eu te afago em verso e violão

E no meu canto te proclamo Lua.

Adoro sequestrar-te ao firmamento

Noites frias de seresta a cismar

Sonho e coração, voz a lamentar

Raios de magia, luz deste tormento.

Astro que te quero noite e dia,

Banha este sofrer de poesia

Arrebata meu amor, minha emoção!

Ilumina, Lua, norte em teu vagar!

Liberta deste amor o caminhar

Barco iluminado, prece e solidão.

O enfrentamento da solidão merece a solução de Vinicius: amigos e um bom copo. O whisky ele já afirmara: “é o cão engarrafado”. Mas, o que dizer dos que em turba choram solitariamente? Se a solidão é resultado de um amor não correspondido, declame com Menotti Del Picchia: “Esquece calmo e forte/ o destino que impera/um recíproco amor às almas todas deu…” Mas, se a realidade é mais grave, faça amigos, sobrace um violão e cante, no mormaço primaveril: “Um dia frio/um bom lugar pra ler um livro…” E não se esqueça do livro, um bom livro. Porque nada supera a aventura de viver nas páginas de todos os livros.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

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