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Adilson Cardoso
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Coluna do Adilson Cardoso – Tabúas

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Coluna do Adilson Cardoso – Tabúas

Às vezes tenho nojo de olhar para as pessoas. Nojo não, tenho medo. Aliás, tenho uma série de coisas que não me fazem bem, encarar gente na rua é uma delas. Podem achar que sou cego, mas prefiro o rotulo por andar sempre de óculos escuros, que ficar confrontando, esse olho no olho me causa pavor, penso que vou ser assaltado, ou que sou sósia de algum jurado de morte, enfim, prefiro ficar sozinho. Adoro ir à lagoa das Raízes, me sentar em uma depressão do barranco onde as Tabúas fazem um muro em volta, sinto-me seguro com a ausência de gente daquele lado, ouço distante os gritos coléricos dos pescadores quando jogo pedras espantando os peixes, mas nunca me descobriram. Por falar nisso tenho uma curiosidade a contar sobre essa planta, quando criança logo após a morte dos meus pais fui adotado por tios, indo morar no “Sitio Flores dos Ipês” no município de Candido Novato a 40 km de Goiânia – GO. Uma beleza que minha memória não se cansa de recordar, na entrada ao lado da cancela de Garapeira subia uma cobertura com quatro robustos pilares de tijolinhos a vista, telhas coloniais e uma placa dependurada esculpida em aroeira onde se lia, “Sitio Flores dos Ipês”. Quando contrai a paixão pela leitura vi que aquele lugar estava presente na Ilha Misteriosa de Verner. Seguia-se então após a cancela sobre um tapete lilás dos Ipês Roxos que se enfileiravam até cederem espaços aos amarelos que também desenrolavam seus tapetes, Borboletas e Colibris bailavam  nos ares. Ao virar à esquerda Bem-Te-Vis pareciam cumprimentar sobre os mourões das cercas, lindos Flamboyants eram vistos do lado direito fazendo sombras para vacas e bezerros que mastigavam sem pressa. Uma rampa de concreto se estendia do alto de um pequeno morro até a estrada que continuava sua sina até se transformar em um pequeno risco a muitos olhos de distancia. O carro do meu tio era uma Kombi Samba 1965 com grades improvisadas  no teto que ele chamava de bagageiro, as laterais eram verdes e o restante branco, os faróis pareciam  olhos esbugalhados. Ela subia a rampa fazendo um barulho estranho e saindo fumaça além do normal, meu tio sempre gritava, “Suba sem criar casos!”, era sempre uma festa a volta da cidade, pois quem ia sentia-se maravilhado com o passeio, quem ficava tinha direito a  balas, doces, marias-moles e suspiros. Eram quatro primos: Guido, Maurinha, Fabinho e Cabeça, comigo a conta deixava de ser par, obviamente eu estava presente em quase todas as viagens para evitar brigas. A casa dispunha de seis cômodos, sem contar  aquele que ficava há poucos metros da porta da cozinha, deposito de sacas de mantimentos, usado também para as brincadeiras de “Esconde-esconde” até o dia em que Maurinha saira do esconderijo gritando que havia um rato lá dentro. Após revirarem tudo, descobrira-se que o rato era um Mocó que acabara virando um assado para a janta.  Um rio passava  nos fundos da casa, era descer aquele morrinho e chegar as Tabúas que chamávamos de pântano dos Jacarés, lá saltávamos como acrobatas de circos, eram saltos mortais para frente, para trás, estrelas e o que mais viesse a mente, as molas do corpo não tinham ferrugens. O rio descia  robusto até as pedras sob um emaranhado de ingazeiros, com dois grandes coqueiros fazendo barulho do outro lado da margem.  Às vezes minha Tia acordava a gente com a noticia de que iríamos almoçar a beira das águas, éramos os responsáveis pela pesca enquanto ela preparava o arroz e o feijão. Infelizmente por falta de escola próximo ao Sitio, trocamos aquela vida de sonhos bucólicos pelo barulho e violência da cidade.  Um dia em mais daquelas cansativas viagens a New York aguardava uma conexão no aeroporto internacional Marechal Rondon em Mato Grosso, quando tive a ingrata noticia de que o vôo se atrasaria por algumas horas, estressado com a possível perda de compromissos há muito agendado, fui até um bar e pedi uma vodca com água de coco, depois mais uma dose. Percebi que uma mulher morena de cabelos lisos arredondados, me olhava com insistência. Após outra vodca acendi um cigarro e a encarei também, ofereci uma bebida levantando o copo, assim foi o começo do contado com Alexandra Minotti, (nome fictício) linda, corpulenta, trinta e cinco anos e mãe de dois filhos, casada com o roupeiro de um time de futebol  da  terceira divisão, Professora de Biologia em uma faculdade de Goiás, mas nas férias trabalhava como prostituta. Não sei por que, mas minha vontade ali sentindo aquele cheiro de sexo era saber da Professora de Biologia coisa que nunca havia perguntado sobre as Tabúas. Mas tudo que eu indagava ela respondia com os valores dos seus programas, descrevia cada parte do seu corpo buscando  excitar-me. Eu continuava  perguntando sobre  as  plantas, até o momento em que Alexandra se irritara brutalmente. — Você quer saber sobre Tabúas? Tudo bem, Tabúa-larga, tabúa-de-espiga-negra, morrão-dos-fogueteiros, morrião-dos-fogueteiros..  — Satisfeito? Acredita agora que não sou apenas uma puta por amor a trepar com qualquer porco que apareça? Se ainda não acredita olha essa porra aqui olha! Retirou da bolsa seu contracheque de professora e abriu quase esfregando no meu rosto. Pasmo com a cabeça girando, não tinha o que dizer. Mas ela ainda tinha. — Quer saber mais sobre Tabúas Doutor? Os caules são simples, aéreos e  elevados, isto significa que você pode até enfiar no cú  caso queira!

 

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